Rational Team Concert – de olho também no legado

Bruno Braga on October 20th, 2008

O Rational Team Concert (RTC) foi o primeiro produto do projeto Jazz da IBM, que tem o foco em criar um ambiente mais colaborativo para o desenvolvimento de software – “People building great software, together” (slogan do projeto).
A primeira versão do RTC foi liberada dia 30 de junho e as primeiras impressões sobre ele são muito boas e podem ser encontradas facilmente em vários blogs.

Para quem nunca usou o RTC, ele possui fácil instalação (ao contrário de muitos softwares IBM), já trás embutido um controlador de versão e um controle de atividades similar ao JIRA (que é excelente). E além do foco colaborativo ele tem recursos fortes de Web 2.0.

Então o RTC está sendo uma boa resposta da IBM há algumas limitações do ClearCase (CC) / ClearQuest (CQ), que são softwares com mais de 10 anos. Apesar deu ter mostrado o lado bom do CC e CQ aqui no blog (post1, post2), muitas pessoas sabem que configurar e trabalhar com o CQ e principalmente o CC não é algo tão simples =)… é preciso alguém com um bom conhecimento sobre essas ferramentas.

Com o lançamento do RTC criou-se a dúvida: quem tem ClearCase, deve migrar para o RTC? E quanto a quem pretende usar o RTC e possui outros SCMs (Software Configuration Management) como o SVN e CVS?
A resposta sobre realizar a migração é depende.
Se estiver usando o CVS, certamente será necessaria a migração. Em compensação o RTC veio com suporte ao “legado” (se é que podemos falar assim) do SVN e ClearCase e eles ainda podem ser utilizados como o controlador de versão principal.
O único problema hoje é que o conector do RTC para o ClearCase / ClearQuest é apenas um “replicador” de dados. Ou seja: os arquivos criados no ClearCase são replicados para o controlador de versão do RTC. Então na prática os arquivos estão nos dois lugares.

Isso não é algo muito legal, e eu mesmo abri uma solicitação de melhoria em Agosto para o RTC delegar a responsabilidade de controlador de versão para o ClearCase em vez de replicar os dados, seria uma ponte real entre os dois softwares. A solicitação foi aprovada e acredito que será lançada nas próximas versões (existe uma discussão para ver se entra na versão 1.1 do RTC).

Mas qual a vantagem desse “bridge” ou conector entre o RTC e o CC, se o RTC já tem um controlador de versão?
Pelo que pude perceber da equipe dos projetos é que o ClearCase, ClearQuest e outros softwares da Rational vão receber influencias do Jazz e estarão cada vez mais alinhados com esse projeto. Então o controlador de versão do RTC continuará sendo distribuído como uma solução de fácil instalação e com recursos para a maior parte das equipes de desenvolvimento, e a integração com o ClearCase será uma opção mais robusta e com recursos não disponíveis no RTC como multisite e outros. Então o plano de migrar do ClearCase para o RTC hoje pode parecer fazer algum sentido por causa das limitações do conector disponível no RTC 1.0 (um replicador) e por aparentemente os softwares serem concorrentes, mas para o futuro talvez não seja a escolha correta dependendo do tamanho da equipe e dos recursos necessários. Manter o investimento no ClearCase e utilizar o conector ou bridge é a melhor no momento. A maior complexidade é justificável.

Em relação ao SVN depende da estratégia de cada equipe. O SVN é free. Não haveria perda de nenhum investimento ao migrar para o controlador de versão do RTC. O que pode ser feito é utilizar os dois juntos por um período de avaliação e depois realizar a migração dos dados para o RTC se for o caso, já que dificilmente o SVN terá mais features do que o controlador de versão do RTC e quanto mais softwares para “a mesma coisa”, maior a complexidade.

Nos próximos posts eu vou comentar algo sobre o Rational Quality Manager e Rational Requirements Composer que estão sendo desenvolvidos utilizando o Jazz.

Algumas imagens do RTC:

Rational Team Concert Rational Team Concert

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Antes de mais nada, as pessoas costumam confundir os nomes ClearCase e ClearQuest (ferramentas IBM Rational), afinal são nomes bem parecidos. Mas apesar destas ferramentas trabalharem de forma integrada (opcional), uma tem o papel totalmente diferente da outra.

Meu post anterior foi sobre o ClearCase (CC): Controladores de versão – ClearCase Base vs ClearCase UCM.

E aqui vamos introduzir o ClearQuest (CQ) e comentar o objetivo de integrar essas duas ferramentas.

Primeiramente para resolvermos o problema dos nomes parecidos, vamos imaginar que a sigla do ClearCase – CC é um C de Código – ela armazena código / arquivos, já que é um controlador de versão. E para o ClearQUEST, podemos dar atenção ao Quest que é “busca / investigação” – essa ferramenta entre outras coisas pode gerenciar bugs e um dos processos para resolver bugs é investigar, correto?

O ClearQuest é uma ferramenta que possui muita flexibilidade para automatizar workflows e seu maior uso é no controle de mudanças de software. Nele podemos cadastrar e acompanhar bugs, atividades, e controlar qualquer outro tipo de trabalho a ser realizado pela equipe.

Mas o que isso tem a ver com o ClearCase? Bom, já vimos anteriormente que o ClearCase UCM solicita uma atividade em cada check-in. Isso cria uma ligação do código do check-in com a atividade que o desenvolvedor está trabalhando.
A desvantagem nesta afirmação é que o controle de atividades do ClearCase é muito simples, já que esse não é o foco da ferramenta. No ClearCase uma atividade é composta apenas pelo título, não tem descrição, status do andamento, relatórios ou nada poderoso para gerenciamento. Bom, ai é que entra o ClearQuest: ele tem todos esses controles e mais um pouco. E caso sua equipe não esteja satisfeita, ela pode customizar os formulários, acrescentar campos, mudar status, alterar ações, estados e o workflow da solicitação. Isso faz do ClearQuest uma ferramenta excelente ferramenta mesmo sendo utilizada sem a integração com o ClearCase, e é uma das minhas preferidas do portfolio IBM.

Mas voltando ao assunto principal do tópico, associando uma atividade do ClearQuest em cada checkin de arquivos (resultado da integração das ferramentas) é possível ter um controle maior do projeto e do que e foi desenvolvido.
Exemplo:

  • é possível manter a rastreabilidade de atividades do projeto para código, ou até ir mais além: usar a customização para criar um cadastro de caso de uso no CQ, relacionar o caso de uso com uma atividade do CQ e podemos extrair como informação todos os arquivos que foram alterados ou criados ao implementar determinado caso de uso. Esse é um dado importante para analise de impacto;
  • algumas vezes não queremos buscar a última versão do código do controlador de versão porque ele contém partes de aplicativos que estão pela metade. Precisamos fazer um pacote com o produto, mas no ponto que queremos não existe nenhum label (marco importante). Então com essa integração uma opção é contruir esse pacote baseado nas atividades que queremos que esteja no pacote (ex: Implementação Caso de Uso 1, Implementação Caso de Uso 2, etc..).
  • o GP tem maior controle de cada atividade do projeto. Sabe quais já foram iniciadas, em que o desenvolvedor está realmente trabalhando (são as atividades “alteradas” por último com os arquivos), e pode até fazer um script de métrica que calcule quantas linhas de código foram alteradas em cada atividade, para “sugerir” um esforço / custo por atividade.
  • etc…

Então ligando o nosso produto de trabalho (documentos, diagramas, códigos) as atividades que realizamos no dia a dia, ganhamos um leque a mais de opções e dados que podem ser utilizados para melhorar o gerenciamento e qualidade do projeto.
Partes desses controles também são importantes em certificações com o CMMi.

Independente do processo de desenvolvimento de software adotado (RUP, desenvolvimento ágil, etc..), sua empresa certamente utiliza um software para fazer as gestão dos fontes de projetos. Entre os controladores de versão mais populares estão o CVS e SVN (gratuitos).  Atualmente eles são os softwares mais utilizados nesta categoria – certamente isso é impulsionados por projetos de software livre.
Talvez por este motivo, a maior parte das pessoas pouco sabe sobre outros softwares similares como o Rational ClearCase da IBM. Antes de mais nada, com certeza o objetivo deste post não é fazer propaganda, mas explicar (para quem quer conhecer) um pouco do ClearCase e a diferenças entre seus dois modos de projetos: Base e UCM. Para facilitar o entendimento, em alguns pontos do post, vou tentar fazer um paralelo com ferramentas mais populares – CVS, SVN.

Atualmente no trabalho divido minhas tarefas de Arquitetura de Software Java com suporte a instalação, configuração e utilização de ferramentas IBM Rational. Entre elas o ClearCase. Então vou dedicar uma parte dos meus posts a ferramentas IBM e o que elas podem agregar de valor em projetos.

Olhando do ponto de vista administrativo, o ClearCase possui N features e ferramentas que facilitam o gerenciamento de um projeto. Mas não vamos entrar nestes detalhes neste post. A idéia neste momento é olhar do ponto de vista de um usuário final (um desenvolvedor por exemplo).

Então, mãos a obra: conforme comentei o ClearCase permite criar dois tipos de projetos: Base e UCM.
Um projeto do ClearCase Base possui recursos similares ao SVN e CVS. Para esse “similar” entenda a presença dos conceitos e recursos básicos: check-in, check-out, branch, labels, etc…

Já no ClearCase UCM as coisas são um pouco diferentes. Além das funcionalidades do ClearCase Base, existem novos recursos e conceitos desconhecidos para muitas pessoas por estarem acostumadas somente ao mundo SVN / CVS, que são dois softwares excelentes e eu mesmo utilizo o SVN em meu projeto de Software Livre.

No ClearCase UCM (Unified Change Management) exitem três palavrinhas chave que fazem muita diferença: Stream, Rebase e Delivery. Elas vão nos forçar a trabalhar de uma outra maneira com o código fonte do produto.

Para explicar essas diferenças no momento de utilização da ferramenta vou fazer um paralelo entre dois termos: Branch e Stream.

Um branch a maioria de nós conhecemos. É uma ramificação no controlador de versão do fonte do nosso projeto (main). Essa ramificação é muito utilizada para realizar manutenções evolutivas e correções no software.
Vejamos a figura abaixo:

Como o branch força o trabalho da equipe em área separadas, ele pode evitar que o código parcial de uma manutenção evolutiva (que está sendo implementada a algumas semanas) vá por engano para homologação/ produção junto com a correção de um bug simples aberto e corrigido nas últimas horas.

Mas o branch não evita um problema comum do desenvolvimento de software empresarial (que geralmente não tem a figura de commiters): a quebra do build ou funcionamento interno (em desenvolvimento) do aplicativo. Se uma pessoa fizer algo errado e realizar o check-in, essa pessoa pode impactar o trabalho de outras pessoas, mesmo em projetos com testes unitários. Um software de integração continua não evita esse problema porque geralmente ele realiza o build do que já está no controlador de versão, e mesmo assim ele não consegue validar todos os tipos de problemas (como em XMLs). Então sempre há um jeito de atrapalhar o trabalho de outro desenvolvedor com um check-in equivocado =P

Para evitar isso o ClearCase UCM existe a opção de utilizar o que é chamado de desenvolvimento em paralelo que é um pouco diferente do conceito do CVS / SVN ou mesmo ClearCase Base.
No ClearCase UCM o cenário de qualquer projeto em equipe teria essas características:

  • cada desenvolvedor que conectar ao projeto, terá automaticamente um “branch” exclusivo para trabalhar – no UCM esse “branch” é chamado de stream;
  • o check-in de um desenvolvedor não causa impacto em outro desenvolvedor porque cada desenvolvedor trabalha na sua stream;
  • todo check-in é relacionado uma atividade então é possível relacionar o código com atividades do projeto;
  • entre outros…

Estes são apenas algumas características do ClearCase UCM, mas a partir delas já podemos entender como é diferente a maneira de utilizar. Vantagens? Vejamos:
Com streams separadas para os desenvolvedores um desenvolvedor não impacta no trabalho de outro. Após um desenvolvedor realizar vários check-ins de “código parcial” para a mesma atividade. Ao acabar de implentar uma determinada funcionalidade, ele fará um Delivery (entrega) da atividade. Nesse momento todos vão poder ver a implementação deste desenvolvedor através do que é chamado de Stream de Integração.
Mas calma, ainda não é possível baixar para a sua Stream a implementação de outro desenvolvedor. Isso acontece porque ainda sim, mesmo dizendo que terminou a atividade o desenvolvedor pode ter feito algo errado, e isso poderia quebrar o seu build. Então o fluxo da ferramenta agora é a validação da Stream de Integração (seja com ferramentas de integração continua ou testes funcionais) e depois a promoção de atividades liberadas pelo desenvolvedor na stream de integração para uma baseline. A partir desse momento qualquer pessoa pode baixar a última versão do código para sua stream (operação chamada de Rebase), afinal o que está na baseline é o fonte correto.

Alguns desses conceitos como baseline são conceitos de Configuration Management (CM) ou Gerência de Configuração, e é dai que vem o nome UCM do ClearCase – Unified Configuration Management. É uma ferramenta construída e baseada nas melhores práticas de CM. Não é atoa que muitas vezes é citada por consultores de CMMi ou MPS.br.

Para completar, segue alguns conceitos de termos novos (considerando o SVN / CVS) que vimos neste post:

  • Stream: em poucas palavras pode ser entendido como um branch integrado a atividades, e geralmente as stream são separadas por desenvolvedores e existe uma de integração – o que não acontece em branchs do SVN, CVS ou ClearCase Base;
  • Delivery: é a entrega do código de uma atividade para a stream de integração;
  • Rebase: representa a atualização da sua stream de desenvolvimento a partir de uma baseline;

Até a próxima!