Independente do processo de desenvolvimento de software adotado (RUP, desenvolvimento ágil, etc..), sua empresa certamente utiliza um software para fazer as gestão dos fontes de projetos. Entre os controladores de versão mais populares estão o CVS e SVN (gratuitos).  Atualmente eles são os softwares mais utilizados nesta categoria – certamente isso é impulsionados por projetos de software livre.
Talvez por este motivo, a maior parte das pessoas pouco sabe sobre outros softwares similares como o Rational ClearCase da IBM. Antes de mais nada, com certeza o objetivo deste post não é fazer propaganda, mas explicar (para quem quer conhecer) um pouco do ClearCase e a diferenças entre seus dois modos de projetos: Base e UCM. Para facilitar o entendimento, em alguns pontos do post, vou tentar fazer um paralelo com ferramentas mais populares – CVS, SVN.

Atualmente no trabalho divido minhas tarefas de Arquitetura de Software Java com suporte a instalação, configuração e utilização de ferramentas IBM Rational. Entre elas o ClearCase. Então vou dedicar uma parte dos meus posts a ferramentas IBM e o que elas podem agregar de valor em projetos.

Olhando do ponto de vista administrativo, o ClearCase possui N features e ferramentas que facilitam o gerenciamento de um projeto. Mas não vamos entrar nestes detalhes neste post. A idéia neste momento é olhar do ponto de vista de um usuário final (um desenvolvedor por exemplo).

Então, mãos a obra: conforme comentei o ClearCase permite criar dois tipos de projetos: Base e UCM.
Um projeto do ClearCase Base possui recursos similares ao SVN e CVS. Para esse “similar” entenda a presença dos conceitos e recursos básicos: check-in, check-out, branch, labels, etc…

Já no ClearCase UCM as coisas são um pouco diferentes. Além das funcionalidades do ClearCase Base, existem novos recursos e conceitos desconhecidos para muitas pessoas por estarem acostumadas somente ao mundo SVN / CVS, que são dois softwares excelentes e eu mesmo utilizo o SVN em meu projeto de Software Livre.

No ClearCase UCM (Unified Change Management) exitem três palavrinhas chave que fazem muita diferença: Stream, Rebase e Delivery. Elas vão nos forçar a trabalhar de uma outra maneira com o código fonte do produto.

Para explicar essas diferenças no momento de utilização da ferramenta vou fazer um paralelo entre dois termos: Branch e Stream.

Um branch a maioria de nós conhecemos. É uma ramificação no controlador de versão do fonte do nosso projeto (main). Essa ramificação é muito utilizada para realizar manutenções evolutivas e correções no software.
Vejamos a figura abaixo:

Como o branch força o trabalho da equipe em área separadas, ele pode evitar que o código parcial de uma manutenção evolutiva (que está sendo implementada a algumas semanas) vá por engano para homologação/ produção junto com a correção de um bug simples aberto e corrigido nas últimas horas.

Mas o branch não evita um problema comum do desenvolvimento de software empresarial (que geralmente não tem a figura de commiters): a quebra do build ou funcionamento interno (em desenvolvimento) do aplicativo. Se uma pessoa fizer algo errado e realizar o check-in, essa pessoa pode impactar o trabalho de outras pessoas, mesmo em projetos com testes unitários. Um software de integração continua não evita esse problema porque geralmente ele realiza o build do que já está no controlador de versão, e mesmo assim ele não consegue validar todos os tipos de problemas (como em XMLs). Então sempre há um jeito de atrapalhar o trabalho de outro desenvolvedor com um check-in equivocado =P

Para evitar isso o ClearCase UCM existe a opção de utilizar o que é chamado de desenvolvimento em paralelo que é um pouco diferente do conceito do CVS / SVN ou mesmo ClearCase Base.
No ClearCase UCM o cenário de qualquer projeto em equipe teria essas características:

  • cada desenvolvedor que conectar ao projeto, terá automaticamente um “branch” exclusivo para trabalhar – no UCM esse “branch” é chamado de stream;
  • o check-in de um desenvolvedor não causa impacto em outro desenvolvedor porque cada desenvolvedor trabalha na sua stream;
  • todo check-in é relacionado uma atividade então é possível relacionar o código com atividades do projeto;
  • entre outros…

Estes são apenas algumas características do ClearCase UCM, mas a partir delas já podemos entender como é diferente a maneira de utilizar. Vantagens? Vejamos:
Com streams separadas para os desenvolvedores um desenvolvedor não impacta no trabalho de outro. Após um desenvolvedor realizar vários check-ins de “código parcial” para a mesma atividade. Ao acabar de implentar uma determinada funcionalidade, ele fará um Delivery (entrega) da atividade. Nesse momento todos vão poder ver a implementação deste desenvolvedor através do que é chamado de Stream de Integração.
Mas calma, ainda não é possível baixar para a sua Stream a implementação de outro desenvolvedor. Isso acontece porque ainda sim, mesmo dizendo que terminou a atividade o desenvolvedor pode ter feito algo errado, e isso poderia quebrar o seu build. Então o fluxo da ferramenta agora é a validação da Stream de Integração (seja com ferramentas de integração continua ou testes funcionais) e depois a promoção de atividades liberadas pelo desenvolvedor na stream de integração para uma baseline. A partir desse momento qualquer pessoa pode baixar a última versão do código para sua stream (operação chamada de Rebase), afinal o que está na baseline é o fonte correto.

Alguns desses conceitos como baseline são conceitos de Configuration Management (CM) ou Gerência de Configuração, e é dai que vem o nome UCM do ClearCase – Unified Configuration Management. É uma ferramenta construída e baseada nas melhores práticas de CM. Não é atoa que muitas vezes é citada por consultores de CMMi ou MPS.br.

Para completar, segue alguns conceitos de termos novos (considerando o SVN / CVS) que vimos neste post:

  • Stream: em poucas palavras pode ser entendido como um branch integrado a atividades, e geralmente as stream são separadas por desenvolvedores e existe uma de integração – o que não acontece em branchs do SVN, CVS ou ClearCase Base;
  • Delivery: é a entrega do código de uma atividade para a stream de integração;
  • Rebase: representa a atualização da sua stream de desenvolvimento a partir de uma baseline;

Até a próxima!

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